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Antes vivos uma hora, do que a dormir uma vida inteira

Sábado, 12.02.11

 

 

Olho para trás e já não te vejo

Quem eu vejo é um reflexo criado por mim

 

O caminho está deserto de novo

mas não de uma forma desagradável

O sol ilumina tudo como numa paisagem irreal

 

Vejo pela primeira vez as marcas dos meus passos

e estranho a sua terrível consistência

Sempre gostei de insistir nos mesmos erros

 

Acordei de um sono longo

e já não poderia respirar nessa ficção


Estes são os efeitos secundários da verdade

uma vez vislumbrada, nada a poderá substituir

Antes vivos uma hora, do que a dormir uma vida inteira

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:28

...

Quarta-feira, 30.12.09

 

O vento veio acordar-me da letargia

e da hibernação

Toda a noite se ouviu e sentiu na casa

e na alma

 

O vento agita-nos, inquieta-nos

e coloca-nos em movimento

 

Este movimento é o plano certo

o plano certo da vida

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:55

Do Baú:

Sexta-feira, 03.04.09

 

 

O vento anima as coisas vivas

 

não as deixa permanecer

na quietude morna do Verão

 

acorda-as.

 

 

 


 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:39

Do Baú:

Sexta-feira, 27.03.09

 

                                        

 

                                          Um pouco de infinito

 

 

Por vezes perguntava-me porquê. Porquê aquele súbito entrever de um sentimento muito mais profudo, muito mais forte, mas tão fugidio, tão impenetrável! Vislumbrava-o apenas e já se esfumava, como se tivesse sido uma ilusão.

Mas não era. E eu sabia. Sentia-o ainda em mim, em todo o meu ser. Permanecia ainda a sensação de que algo de maravilhoso me penetrara, percorrera milhões de vezes a minha vida num segundo, nem tanto. E se fora.

Sentia ainda em mim a beleza desse momento vivo. Era como se tivesse compreendido de repente quem era, o que fazia ali, porque e como a vida se desenrolava entre tantas outras vidas, aparentemente desencontradas, aparentemente sem sentido. 

Parecia magia, mas não era! Era uma certeza tão sólida como todas as outras. Era como um elo entre mim e o universo, leve cumplicidade de ter encontrado, num relâmpago, o que me unia com o que até aí me parecera incongruente. 

Mas como explicar o que sentia nesses momentos? Como a linguagem é limitada! Mas como também é desnecessária!

Não sei agora, depois de tudo passar... É como se tivesse de novo regressado do infinito. Para de novo voltar.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:09








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